A presença nas redes sociais, os sites institucionais e as campanhas digitais transformaram a maneira como médicos e clínicas se comunicam com o público. Hoje, a publicidade médica pode contribuir para ampliar a visibilidade profissional, apresentar serviços e compartilhar informações relevantes sobre saúde.
Mas comunicar-se bem não significa apenas produzir conteúdo atrativo. Na área médica, é necessário conciliar estratégia, transparência e responsabilidade, respeitando as normas que regulamentam a divulgação de informações profissionais.
Para médicos, clínicas e equipes de comunicação, compreender essas regras é uma etapa importante para construir uma presença digital consistente e evitar práticas que possam gerar questionamentos éticos.
A Resolução CFM nº 2.336/2023, em vigor desde 11 de março de 2024, atualizou as regras para a publicidade e a propaganda médicas. A norma ampliou algumas possibilidades de divulgação, mantendo limites relacionados à ética, à veracidade das informações e à proteção dos pacientes.
Entre as possibilidades previstas estão a divulgação de informações sobre o trabalho médico, a apresentação de recursos tecnológicos autorizados, a publicação de valores de consultas e determinadas formas de utilização de imagens para fins educativos, desde que respeitadas as condições estabelecidas.
Essa atualização exige atenção não apenas dos médicos, mas também de gestores, agências de comunicação e profissionais responsáveis pela produção de conteúdo para clínicas e instituições de saúde.
A comunicação precisa estar alinhada às regras aplicáveis, sem induzir o público a interpretações equivocadas ou criar expectativas incompatíveis com a realidade da assistência médica.
As redes sociais são ferramentas importantes para compartilhar conhecimento, apresentar a atuação profissional e estabelecer uma relação de confiança com o público. Entretanto, uma publicação não deixa de estar sujeita às regras da publicidade médica por ter sido feita em um perfil pessoal.
A identificação profissional, a apresentação de especialidades, a divulgação de procedimentos e o compartilhamento de conteúdos de terceiros merecem atenção. A Resolução CFM nº 2.336/2023 estabelece, por exemplo, exigências de identificação nas páginas em que ocorre publicidade médica e determina que compartilhamentos e repostagens também observem as regras aplicáveis.
Na prática, isso significa que a revisão de uma publicação não deve se limitar ao texto principal. Imagens, legendas, depoimentos, chamadas promocionais e demais elementos da comunicação precisam ser considerados em conjunto.
Uma estratégia digital bem planejada deve buscar clareza e credibilidade, sem recorrer ao sensacionalismo, a informações enganosas ou à promessa de resultados.
A utilização de imagens de pacientes, inclusive em conteúdos relacionados à evolução de tratamentos e procedimentos, é um dos temas que mais exigem atenção na comunicação médica.
A regulamentação prevê possibilidades de uso educativo, mas estabelece condições específicas. Entre os cuidados estão a preservação da privacidade, a proteção da identidade do paciente e a apresentação contextualizada das informações, sem manipulação das imagens ou indução à garantia de resultados.
No caso de demonstrações de resultados, a norma estabelece critérios próprios para a apresentação do conteúdo, incluindo informações educativas sobre indicações, fatores que influenciam os resultados e possíveis complicações descritas na literatura científica.
Por isso, a autorização do paciente, isoladamente, não deve ser interpretada como garantia de que qualquer publicação está permitida. É necessário avaliar a finalidade, o formato e o contexto da divulgação, além das demais exigências aplicáveis.
Para médicos e equipes de comunicação, criar um processo de revisão antes da publicação é uma forma de incorporar esses cuidados à rotina.
O marketing médico não precisa ser entendido como uma escolha entre divulgar o trabalho e respeitar as normas profissionais. O desafio está em desenvolver uma comunicação estratégica que considere os dois aspectos desde o planejamento.
Isso envolve definir objetivos, conhecer o público, organizar as informações institucionais, planejar campanhas e revisar os conteúdos antes de sua veiculação.
Também é importante que médicos, gestores e profissionais de comunicação compartilhem o entendimento sobre os limites da divulgação. Uma campanha pode ter uma boa proposta visual e uma estratégia eficiente de alcance, mas ainda assim exigir ajustes em sua linguagem ou apresentação.
A prevenção começa antes da publicação: com informação, critérios claros e processos de revisão adequados à realidade de cada profissional ou instituição.
Conhecer a regulamentação é o primeiro passo. O desafio seguinte é transformar as orientações em decisões práticas: o que pode ser publicado, como apresentar um procedimento, quais cuidados adotar com imagens, como estruturar campanhas e quais pontos revisar antes de colocar um conteúdo no ar.
Pensando nessa necessidade, o Instituto Korn & Siqueira disponibiliza o curso Publicidade Médica Sem Risco, voltado a cirurgiões plásticos, dermatologistas e equipes de clínicas estéticas.
O curso aborda a regulamentação da publicidade médica com foco na aplicação prática, utilizando explicações, exemplos, estudos de caso e listas de verificação para ajudar o participante a compreender as regras e reconhecer situações que exigem atenção.
A proposta é contribuir para uma comunicação mais consciente, informada e alinhada às exigências aplicáveis à atividade médica.
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Informação e capacitação são aliadas de uma comunicação médica ética e responsável.